"A ti Escorpião, darei uma tarefa muito difícil. terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei a permissão de falar sobre o que aprenderes.
Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês, e em tua dor te voltarás contra mim, esquecendo que não sou Eu, mas a pervesão de minha ideia, o que te faz sofrer.
Verás tanto e tanto do homem enquanto animal, e lutarás tanto e tanto com os instintos em ti mesmo, que perderás o teu caminho; mas quando finalmente voltares, terei para ti o Dom supremo da Finalidade."(Martin Schulman – Karmic Astrology: The
Moon’s Nodes
and Reincarnation, 1977).
O ovo vai para a frigideira. Ela espera-o no fogo, a margarina já está derretida e muito quente. O ovo é despejado de sua fina casca e vai direto ao encontro da margarina, é embebido por ela, faz-no chiar, um chiar suculento, um chiar convidativo. Uma pitadinha de sal sobre a gema, e logo o cheiro de ovo frito incendeia o ambiente. O que era um misto de transparência e sensibilidade, agora é branco e amarelo firme. O fogo é brando. Vira de um lado, vira do outro e agora está entre douradinho nas bordas arrebitadas, branco e amarelo. Que delícia!
Vai chegando ao fim o caloroso encontro entre o ovo e a margarina. Um encontro único, que jamais se repetirá. Nem para um tampouco para o outro. O fogo é apagado. Uma parte da margarina faz parte do ovo; assim como uma parte do ovo faz parte da margarina. Vida curta, porém intensa.
Sempre que nos deparamos com alguma dificuldade no decorrer de nossas vidas,
acreditamos que é um castigo, que Deus está sendo injusto em nos fazer sofrer; então nos desesperamos, achamos que tudo perdeu o sentido, que nada do que
fizermos dará certo. Egoísmo de nossa parte é claro, não estamos aqui
simplesmente para olhar a vida passar pela janela, como se não fizéssemos parte
dela. Todo mundo tem momentos de alegria, de tristeza de solidão, de entregar-se ao
amor, isto é viver, correr riscos, cair, levantar, chorar, apaixonar-se...
Temos que olhar mais a nossa volta e agradecer pelas coisas boas que
Deus nos oferece todos os dias, cada amanhecer é diferente do outro, um
dia é de sol o outro é de chuva. A vida, o mundo e o tempo não param,
só porque o dia não está como queremos. A vida é assim e devemos
aproveitar com a mesma intensidade todos os momentos, pois todos fazem parte de
nós. Estamos interligados com o universo temos que aceitar os desafios com
otimismo e determinação, se hoje está difícil temos que acreditar que amanhã
será melhor, nada é constante, tudo é possível, tudo pode mudar, um minuto pode
fazer a diferença e modificar toda uma vida.
De
certa forma, somos seres privilegiados, podemos chegar onde quisermos, podemos
sonhar e realizar. Quanto ao sofrimento, ele é inevitável, por
sermos humanos temos sentimentos, seduzimos e somos seduzidos pelas
coisas e pelas pessoas e ,muitas vezes, não sabemos o momento exato de
partir ou de ficar, mas uma coisa é certa, podemos ser mais alegres do que
tristes, só depende de nós.
Abram-se as cortinas da realidade inventada,
o espetáculo vai começar
Kik Douglas em cena - "A montanha dos sete abutres"
Manipulação, audiência, gosto pela tragédia, por parte do público: Fatos
que marcaram a imprensa brasileira nos últimos anos, por fugirem da ética
Não é de hoje e
nem por acaso, que o Jornalismo é duramente retratado nas telonas, como algoz
da sociedade, o poderoso manipulador das realidades. O Jornalista, como
indivíduo social, por sua vez, também não fica atrás, pois muitas vezes, para
satisfazer seu ego acaba por agir em prol de status e a ética que deveria ser
colocada em prática e em primeiro plano, em cada fato noticiado é deixada de
lado. Muitas vezes é como se ela não existisse, para o Jornalista, e
principalmente, para as grandes Empresas que o sustenta, aliás, elas são as
beneficiadas com a notícia-espetáculo, que gera audiência, visibilidade e lucro.
Um exemplo disso é a fantasiosa história do “bebê diabo”, na qual o jornal Notícias Populares, por falta de
notícias que chamassem a atenção inventou que havia nascido um bebê com chifres
e rabo no ABC paulista. A história se alastrou como praga e as vendas, por
conta do caso, alavancaram.
Por outro
lado, embora cada profissional tenha uma visão diferente dos fatos, existe uma
verdade que é inerente ao acontecimento. Contudo, essa verdade, essa realidade,
muitas vezes é vista pelo próprio público como desinteressante, a mídia em
conseqüência disso, mostra o que sabe que será aceito, manipulando, muitas
vezes, os fatos da maneira que acha necessário.
A montanha dos
sete Abutres filme dos anos 50 mostra a história de um jornalista antiético,
vivido pelo ator Kirk Douglas, que já foi demitido, justamente, por essa postura, de grandes Jornais como o The New York Times, e que vai trabalhar
em um pequeno Jornal de uma pequena cidade, onde nada acontece. Ele almeja a
qualquer custo voltar ao posto de antes; para isso espetaculariza e adia a
solução de um acidente que acaba em tragédia, por conta de sua manipulação.
Usa-se
a máxima “quanto pior, melhor”, e isso, no entanto, acaba banalizando as
notícias, sem levar em conta as pessoas envolvidas, os seus sentimentos, as suas
dores.
A apuração e
veiculação da verdade deveriam ser a palavras chaves que movem o jornalismo e o
jornalista, mas não é. No Brasil temos casos de sensacionalismo vergonhoso, que
até hoje vivem latentes na memória da imprensa, como por exemplo, o caso da
Escola Base, uma escolinha infantil, cujos donos foram acusados pelos mais
variados meios de comunicação de molestarem as crianças. As vítimas acusadas e
condenadas pela imprensa tiveram suas vidas transformadas, para o resto de seus
dias, devido a esse mau jornalismo; aquele que fere os direitos, a integridade,
a honra dos escolhidos para o massacre midiático.
Não precisamos
ir muito longe, há três anos, Isabella Nardoni foi jogada da janela do apartamento
onde morava em São Paulo,
pelo pai e a madrasta, que foram condenados. As notícias não tinham fim. Os
jornais fizeram da tragédia um “show”. Assim como no caso Eloá, a jovem
assassinada pelo ex-namorado depois de mantê-la refém em sua casa em Santo
André. As pessoas assistiram ao vivo minuto a minuto a morte
anunciada de Eloá.
As tragédias
atraem o leitor, o telespectador, e ainda mais quando são mostradas de forma
sensacionalista. Usa-se a máxima “quanto pior, melhor”, e isso, no entanto,
acaba banalizando as notícias, sem levar em conta as pessoas envolvidas, os
seus sentimentos, as suas dores. E quem paga a dignidade roubada de alguém que
foi acusado por algo que não cometeu? Ou das mães que perderam suas filhas e
sabem que o país inteiro comenta sobre o assunto e que muitos até fazem piadas a
respeito, pois o fato de tanto que “girou” foi banalizado?
Segundo Clóvis
Rossi, a função do Jornalista não é somente descrever, mas descrever para
transformar. Pouco se vê a esse respeito. Pior, em vez de descrever um fato, a
imprensa, o jornalista o modifica, inventa, aumenta, a ética é só uma pequena palavra. Fecham-se as cortinas, a vida volta
ao “normal”, até o próximo espetáculo.